Comissão Permanente de Acessibilidade participa da 22ª Reunião Ordinária do CEDD/GO.

Reunião Ordinária do CEDD/GO: O que Foi Discutido

No dia 26 de novembro de 2025, a Comissão Permanente de Acessibilidade nos Municípios participou da 22ª Reunião Ordinária do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Goiás (CEDD/GO). Este encontro foi fundamental para discutir questões emergentes relacionadas à acessibilidade e inclusão social no estado de Goiás. A arquiteta Catharina Caixêta, membro da comissão, apresentou um relatório detalhado sobre a análise da acessibilidade do entorno do novo Terminal Praça da Bíblia, um assunto de grande relevância, considerando a importância deste terminal para a mobilidade urbana.

Durante a reunião, a comissão analisou diversos aspectos críticos que impactam diretamente a autonomia de pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida. A apresentação abordou a necessidade de garantir um ambiente onde todos possam transitar de maneira segura e eficiente, destacando a urgência de intervenções que possam mitigar as barreiras que ainda persistem nas calçadas e no sistema de transporte público.

Um dos pontos centrais discutidos foi a constatação de que, apesar das reformas, a infraestrutura ao redor do terminal não atende aos requisitos de acessibilidade. Essa falta de adaptação pode comprometer a inclusão dessas pessoas nas atividades cotidianas, como ir ao trabalho, à escola ou realizar compras. O evento serviu como um alerta para que esses problemas sejam solucionados com a prioridade que merecem.

Comissão de Acessibilidade

Importância da Acessibilidade na Mobilidade Urbana

A acessibilidade é um direito fundamental que garante a todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, a possibilidade de se movimentar livremente e participar plenamente da vida social. Na mobilidade urbana, isso significa que ruas, transportes e serviços devem ser projetados pensando na inclusão. Com a crescente urbanização e a densidade populacional nas cidades, a acessibilidade se torna ainda mais essencial, especialmente em áreas com grandes concentrações de pessoas, como terminais de transporte.

A cidade de Goiânia, assim como outras capitais do Brasil, enfrenta desafios significativos na implementação de políticas de acessibilidade. A presença de calçadas em más condições, a falta de sinalização adequada e a inexistência de equipamentos de transporte acessíveis são apenas algumas das barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência. Esses obstáculos não só dificultam a locomoção, mas também isolam esses indivíduos e os excluem de oportunidades de emprego, educação e lazer.

Investir em acessibilidade na mobilidade urbana não é apenas uma questão de justiça social; é também uma forma de impulsionar a economia local. Quando todas as pessoas têm acesso igual aos serviços, há um aumento na participação social e econômica. Além disso, ambientes acessíveis tendem a ser mais atraentes para todos os usuários, contribuindo para a criação de cidades mais humanas e inclusivas.

Relatório de Análise: Terminal Praça da Bíblia

O Terminal Praça da Bíblia, recentemente reformado, representa um passo importante para a modernização do sistema de transporte em Goiânia e sua Região Metropolitana. No entanto, a análise realizada pela Comissão Permanente de Acessibilidade meticulosamente revelou que, apesar das melhorias, há lacunas significativas na acessibilidade ao seu redor. Dentre as irregularidades encontradas estão:

  • Obstáculos nas calçadas: Muitas calçadas apresentam obstáculos que dificultam a passagem de pessoas com mobilidade reduzida.
  • Falta de piso tátil: A ausência de pistas táteis compromete a locomoção de pessoas com deficiência visual.
  • Calçadas danificadas: Calçadas deterioradas e com inclinações superiores às permitidas tornam a locomoção extremamente desafiadora.
  • Rebaixamento de calçadas ausente: A falta de rebaixamentos nas travessias prejudica ainda mais a circulação de pessoas com deficiência.
  • Sinais sonoros: A inexistência de sinais sonoros e botoeiras em áreas de grande movimento compromete a segurança, especialmente para pessoas com deficiência visual.

Esses achados indicam que a reforma do terminal, embora tenha trazido avanços, ainda está aquém do ideal em termos de acessibilidade. É vital que as autoridades reconheçam essas falhas e priorizem intervenções que assegurem um ambiente que respeite os direitos e necessidades de todas as pessoas.

Obstáculos nas Calçadas: Um Grande Desafio

As calçadas desempenham um papel crucial na acessibilidade urbana. São frequentemente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o espaço público. Quando estão mal conservadas ou obstruídas por obstáculos, dificultam a locomoção de todos, mas especialmente de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Em Goiás, muitos relatos indicam que as calçadas estão repletas de desafios, desde buracos e desníveis até mobiliário urbano mal posicionado.

Os obstáculos podem incluir árvores mal podadas, placas de sinalização, barracas de vendedores ambulantes e até mesmo veículos estacionados em áreas inadequadas. Esta situação não apenas coloca em risco a segurança dos pedestres, mas também resulta em frustração e limitações na liberdade de movimento. O direito de ir e vir deve ser garantido a todos, e isso implica em um compromisso contínuo por parte das autoridades e da sociedade civil para garantir a manutenção e o planejamento efetivo das calçadas.

Recentemente, iniciativas de sensibilização têm sido promovidas para educar a população sobre a importância da manutenção das calçadas. Além disso, ações coletivas têm sido implementadas para mobilizar moradores a cuidarem das calçadas, observando as normativas de acessibilidade. Essa conscientização é fundamental, pois mudanças significativas geralmente começam com a educação e a informação.

Piso Tátil e Acessibilidade: O Que Está Falhando?

O piso tátil é uma ferramenta essencial para a orientação de pessoas com deficiência visual. Ele fornece informações sobre direções e perigos em ambientes urbanos. Entretanto, a análise do Terminal Praça da Bíblia e suas imediações revelou uma carência alarmante em relação a essa importante característica. A falta de piso tátil correto limita a capacidade das pessoas se deslocarem de maneira autônoma e segura.



Além da ausência de pisos táteis, muitos dos que existem estão mal instalados ou não seguem as normas técnicas adequadas. Isso não só diminui sua eficácia, mas também pode constituir um risco para a segurança de pessoas que confiam nessas orientações. A ineficácia do piso tátil é um reflexo de um sistema maior que, frequentemente, prioriza a estética e o custo em detrimento da acessibilidade real.

Portanto, é essencial que as autoridades locais se comprometam não apenas com a implementação, mas também com a supervisão contínua da instalação adequada do piso tátil. Isso inclui treinamentos para os profissionais envolvidos na implementação dessas características e a realização de vistorias periódicas para garantir a manutenção e o funcionamento adequado desses equipamentos.

Sinais Sonoros: Garantindo Segurança Para Todos

A segurança da mobilidade urbana é um direito de todos os cidadãos. Os sinais sonoros, que alertam os pedestres sobre o momento seguro para a travessia, são uma parte vital desse sistema de segurança, especialmente para pessoas com deficiência visual. No entanto, a analise do relatório da Comissão Permanente de Acessibilidade revelou uma carência significativa desse recurso no entorno do Terminal Praça da Bíblia.

A ausência de sinais sonoros, assim como a falta de botoeiras acessíveis, cria barreiras adicionais e prejudica a autonomia das pessoas com deficiência visual ao transitar nessas áreas. É fundamental que os sinais sonoros sejam instalados em pontos estratégicos de grande fluxo de pedestres, garantindo não apenas a acessibilidade, mas também a segurança de todos que utilizam as vias públicas.

Garantir a presença de sinais sonoros é uma responsabilidade que deve ser compartilhada entre governos, empresas de transporte e a sociedade civil. Políticas e legislações específicas devem ser criadas e implementadas para assegurar essa acessibilidade. A realização de campanhas de conscientização para alertar a população sobre a importância da acessibilidade em espaços públicos também é importante nesse contexto.

A Inclusão Social Através da Acessibilidade

A inclusão social é um conceito que vai muito além de simplesmente garantir que todos tenham acesso a espaços físicos. É um compromisso contínuo em garantir que cada indivíduo, independentemente de sua condição física, tenha oportunidades iguais de participação em todos os aspectos da vida social. A acessibilidade, portanto, é uma das principais ferramentas para alcançar este objetivo.

A promoção da acessibilidade consiste em criar ambientes que não sejam apenas fisicamente acessíveis, mas que também sejam acolhedores e inclusivos. Isso inclui o desenvolvimento de políticas públicas de inclusão, programas educacionais e sensibilização da comunidade sobre a importância da diversidade e respeito mútuo.

Além disso, a acessibilidade impacta positivamente toda a sociedade. Cidades que investem em infraestrutura acessível se tornam mais atraentes para todos os cidadãos, promovendo um ambiente de convivência mais harmônico e colaborativo. Quando a sociedade se une para criar um ambiente acessível, todos se beneficiam, pois um espaço inclusivo promove qualidade de vida e bem-estar.

Normas Técnicas e Seus Impactos

A legislação e normas técnicas relacionadas à acessibilidade são fundamentais para assegurar que ambientes e serviços sejam adequados às necessidades de todos os cidadãos. No Brasil, a norma NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estabelece diretrizes para a acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

Apesar da existência dessas normas, muitas cidades, incluindo Goiânia, ainda lutam para implementá-las de forma eficaz. Por isso, é indispensável que profissionais do planejamento urbano, arquitetos e engenheiros sejam capacitados para compreender e aplicar essas normas em seus projetos. Além da capacitação, é importante que haja fiscalização e acompanhamento por parte dos órgãos competentes para garantir que as normas sejam respeitadas e aplicadas em todas as novas construções e reformas.

Um dos desafios mais comuns é a falta de conscientização sobre a importância das normas. Isso pode levar a projetos que não consideram as necessidades de acessibilidade, resultando em situações onde as estruturas, apesar de bem-intencionadas, se tornam mais uma barreira do que uma solução. Para eliminar esses desafios, deve-se propagar a cultura de acessibilidade na formação profissional e nas discussões públicas.

Parcerias para Acessibilidade: Trabalhando Juntos

A construção de uma sociedade mais acessível requer parcerias genuínas entre diversas esferas: governo, empresas, organizações não governamentais e a própria comunidade. A colaboração entre essas partes interessadas é vital para que se chegue a soluções inovadoras e efetivas para a acessibilidade.

Iniciativas conjuntas, como workshops, treinamentos e campanhas de conscientização, podem criar um ambiente propício para a troca de ideias e experiências. Além disso, a criação de redes de apoio e colaboração pode acelerar o desenvolvimento de soluções práticas para os problemas de acessibilidade enfrentados nas cidades.

Empresas privadas também desempenham um papel importante nessa dinâmica. Ao implementar práticas inclusivas em seus serviços e produtos, tornam-se exemplos a serem seguidos, promovendo a responsabilidade social. Essas práticas não apenas beneficiam aqueles que necessitam de acessibilidade, mas também ampliam a base de clientes e melhoram a imagem da empresa.

Próximos Passos da Comissão Permanente de Acessibilidade

A Comissão Permanente de Acessibilidade tem um papel crucial na promoção de mudanças que garantam uma cidade mais acessível e inclusiva. Após a conclusão da reunião e considerando os desafios enfrentados no Terminal Praça da Bíblia e outras áreas de Goiânia, os próximos passos incluem:

  • Mobilização de recursos: Buscar parcerias e patrocínios que auxiliem em projetos de infraestrutura acessível.
  • Capacitação contínua: Promover treinamentos regulares para profissionais de engenharia e arquitetura sobre como aplicar normas de acessibilidade em projetos.
  • Campanhas de conscientização: Criar campanhas para sensibilizar a população sobre a importância da acessibilidade e como cada um pode contribuir.
  • Monitoramento e avaliação: Implementar um sistema de monitoramento para acompanhar a situação da acessibilidade em Goiânia, identificando novas áreas que necessitem de atenção.

Através dessas ações, a Comissão busca promover um futuro mais inclusivo, onde todas as pessoas possam transitar com autonomia, respeito e dignidade.



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